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15 de Dezembro de 2009

Abstração ou holografia 3D? Futuro dos games está em jogo

Crédito: Getty Images

Danilo Bueno

Os criadores de jogos esperam novas revoluções para os próximos dez anos. E as mudanças previstas são tão grandes que não devem se limitar apenas a controles e interfaces gráficas: o próprio conceito de vídeo-game como ferramenta limitada ao entretenimento, ironicamente, também está em jogo.

Nos últimos dez anos, os games passaram do ambiente em duas dimensões, que proporcionava movimentos na horizontal e na vertical, para a terceira dimensão, que permite ao jogador explorar todos os ângulos de visão do ambiente virtual.

Em 2006, o Wii - grande sucesso da Nintendo - deu ao movimento uma nova dimensão: a real. Em vez de setas para cima e para baixo, é o próprio corpo do jogador que provoca a reação no personagem, por meio de sensores. Com isso, jogos como boliche, tênis e golfe, que se destacavam na década de 80, entraram na moda novamente. Acessórios como o Wii Fit, uma espécie de balança que interpreta o movimento pelo peso do corpo, deixaram a experiência ainda mais completa. Com isso, o vídeo-game passou a ser usado não apenas para diversão, mas também para auxiliar na prática de exercícios físicos, com programas de yoga, dança e alongamento.

Apesar do sucesso, sensores como os do Wii não devem substituir totalmente os controles tradicionais, ainda que o número de botões diminua. Na opinião de especialistas, os controles manuais fazem parte da vida dos jogadores desde a década de 80, e a indústria de games deve atender a todos os tipos de usuários, desde os que já começaram jogando o Wii até os fãs das primeiras versões de Super Mario Bros, clássico da Nintendo.

A parte gráfica foi a que mais se desenvolveu nos últimos dez anos, com a criação de consoles com alta capacidade de processamento. Em entrevista ao site especializado em games 1up.com, Amy Hennig, desenvolvedora do jogo Jack and Daxter para Playstation, considera essa disputa entre as empresas por imagens cada vez mais detalhadas como um “fetiche insalubre”. Para ela, quando for alcançada uma qualidade gráfica satisfatoriamente próxima do real, os jogos vão amadurecer e criar seus próprios mundos. Hennig compara esse processo ao que aconteceu com a pintura. “Uma vez que o Realismo foi superado, os artistas foram liberados para buscar formas mais ousadas e abstratas de expressão”, afirma.

"Para mim, o futuro está nos displays holográficos em terceira dimensão", que constroem as imagens fora da tela, aposta Julian Eggebrecht, presidente da empresa Factor 5, que desenvolveu a série Star Wars para várias plataformas, entre elas o Nintendo 64. “O desenvolvimento do 3D vai revolucionar os jogos em dez anos da mesma maneira que os sensores estão revolucionando hoje”, prevê Eggebrecht, em entrevista ao 1up.com.

E se você acha que esse tipo de inovação não passa de ficção científica, é bom lembrar que os recordes de faturamento da indústria de games são um estímulo e tanto. Em 2008, ano de crise financeira, o setor faturou US$ 22 bilhões só nos Estados Unidos.



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