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23 de Dezembro de 2009
Software livre vai modificar comportamento de empresas de desenvolvimento
Foto: Getty Images
Nos últimos dez anos, verificou-se uma expansão do uso do software livre, tendência que deve se intensificar ao longo da década, levando na garupa profundas modificações no mercado de desenvolvimento de programas.
No caso dos softwares, “livre” não é sinônimo de “gratuito”, embora, muitas vezes, as coisas estejam relacionadas. Os softwares livres são programas que podem ser usados, editados e copiados livremente. Eles permitem que programadores independentes estudem seus códigos e proponham modificações, o que beneficia toda a comunidade.
Esse modelo tem, cada vez mais, ocupado o espaço antes reservado às gigantes do setor, que estavam acostumadas a distribuir seus programas com código fechado e a proibir qualquer intervenção dos usuários na estrutura de programação.
“O software livre, a princípio, não ameaça as empresas, mas sim seus atuais modelos de negócio”, indica o professor de Ciência da Comunicação do IME (Instituto de Matemática e Estatística) da USP, Marco Aurélio Gerosa. Ele destaca que grupos como a Microsoft, apesar de venderem softwares com códigos fechados, já disponibilizam alguns programas em código aberto e buscam criações independentes para melhorar seus serviços. “As empresas vão precisar se reposicionar para competir com o software livre, e isso já está acontecendo”, afirma.
Para Gerosa, a divisão de mercado entre softwares livres e os softwares proprietários deve ficar mais clara no futuro. O software livre deve se concentrar principalmente nas aplicações mais amplas, em sistemas operacionais e banco de dados, como é o caso do Linux. “Nas aplicações muito específicas, será difícil encontrar softwares livres”, acredita.
Paulo Meirelles, também pesquisador do IME-USP, ressalta que outra tendência do mercado é a migração do acesso à internet para outras plataformas. Isso vai obrigar os desenvolvedores a criarem softwares que funcionem em todas elas, o que pode ser facilitado pelo desenvolvimento de aplicativos que têm como base a web (o Google Docs é um exemplo).
“Nós vamos colocar nossos softwares numa nuvem onde o serviço será acessado pelo usuário através de qualquer aparelho. Essa nuvem é a internet”, prevê Meirelles.
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