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21 de Dezembro de 2009

Tecnologia e mudança no perfil das crianças levarão a novos brinquedos

Foto: Getty Images
Danilo Bueno

Uma das coisas mais importantes da tecnologia é que ela muda não apenas a maneira como nós aprendemos, mas também o conteúdo desse aprendizado. É o que afirma o pesquisador do MIT (Massachusetts Institute of Technology), Mitchel Resnick, diretor do Lifelong Kindergarten, um grupo de estudos sobre tecnologia e educação.

Segundo Resnick, a tecnologia permitirá que, em um futuro próximo, os brinquedos auxiliem no ensino de disciplinas que hoje estão bem distantes das escolas infantis. “Algumas ideias foram excluídas do currículo escolar por serem difíceis, mesmo sendo muito importantes para o crescimento e para as atividades que as crianças vão exercer no futuro”, afirma o pesquisador.

Um exemplo de brinquedo que já atende a essa previsão é o Mindstorms NTX, uma versão eletrônica das peças de encaixar da Lego. A diversão consiste em criar e programar pequenos robôs que executam tarefas simples e interagem com o ambiente, por meio de sensores de luz e movimento. O kit conta com cabos USB, bateria e centenas de pequenas peças eletrônicas que podem se transformar em vários tipos diferentes de veículos e robôs, dando asas à imaginação e apresentando conceitos básicos de programação e engenharia.

A mudança no perfil das famílias também já reflete nos lançamentos. Os casais têm cada vez menos filhos, e, sem irmãos, as crianças ficam mais solitárias dentro de casa, já que a rua é considerada um local perigoso. Por causa disso, em dez anos, os brinquedos mais procurados serão aqueles que se tornarão companheiros.

“Há dez anos os brinquedos eram mais contemplativos, as crianças ligavam e ficavam olhando ele funcionar. No futuro, eles serão mais cooperativos”, afirma o diretor de Marketing da Estrela, Aires Leal Fernandes.

A fabricante já lançou um brinquedo desse tipo. Voltado para crianças na faixa dos três anos, o coelho Jojô é um especialista em esconde-esconde. Ele chama a criança para brincar, tampa os olhos com as orelhas, conta até dez e passa a andar pela casa, desviando de obstáculos e conversando enquanto busca uma cenourinha com sensor que a criança carrega.

Para o coordenador do Laboratório de Brinquedos e Jogos da Universidade Federal do Ceará, Márcio Teodorico, apesar da evolução da tecnologia, os novos brinquedos não deixarão de fazer referência aos antigos. “Você percebe nos países europeus o quanto eles valorizam os brinquedos tradicionais, promovendo uma releitura do passado nos novos lançamentos.”


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